A Teori da Conspiração esconde as perniciosas relações de Zavascki.

Teori Zavascki, ministro do STF, durante o julgamento da ação penal 470, denominação oficial do processo do mensalão – 11 / 09 / 2013 (Cristiano Mariz/VEJA)

Da Redação

Recentemente após queda do avião, modelo Hawker Beechcraft King Air C90, que partiu do aeroporto de Campo de Marte, em São Paulo, às 13h01 com rumo à Paraty um novo capítulo foi acrescido a já atribulada política nacional, e a razão é uma só, em seu interior entre outros estava o ministro do supremo Teori Zavascki.

Sem a intenção de nenhum trocadilho, mas fica no ar a dúvida: “Seria o fim da lava à jato?”

Honestamente, eu não sei dizer até que ponto é salutar uma investigação que notória e quase que declaradamente desde sua origem mais parece uma caça às bruxas do que exatamente uma apuração, seus métodos partidarizam e beneficiam nitidamente aos grupos políticos que ora ocupam o palácio do planalto, no entanto ela existe e como fato objetivo constrói a figura pública de Sérgio Moro como “grande herói nacional”.

Apesar de Sérgio Moro mais recentemente uma série de elementos passaram a vir à tona, elementos comprometedores a estes mesmos grupos políticos que não só fomentaram (até então) todo o processo “investigatório” através de uma suposta pressão popular e das relações inescrupulosas com a imprensa burguesa, mas utilizaram-na como base para a efetivação da manobra parlamentar que efetivou o golpe institucional.

Atormentam o sono de Michel Temer não somente o permanente espectro da delação premiada de Eduardo Cunha, mas principalmente a possibilidade da onda de delações da construtora Odebrecht e neste contexto não é possível deixar de notar que um relator com fama de austero, “incorruptível” e tecnicista se torna motivo para muitas preocupações e neste caso basta somar “dois mais dois”.

A morte de Zavascki, ministro relator da Lava Jato no STF, é evidentemente alvo de suspeitas em todo o país principalmente porque a expectativas eram de que Teori admitisse as supra citadas delações premiadas dos 77 executivos da Odebrecht, e de acordo com o regimento interno do STF o substituto do relator é o novo ministro a ser nomeado, uma nomeação que cabe ao presidente da república. Precisam mais ilações?

Somente Temer foi citado 43 vezes na delação do ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho, nas denúncias o depoente relata o pagamento, entre 2006 e 2014, de mais de 80 milhões de reais em propinas, caixa dois e doações legais para a campanha a quase 50 políticos.

Em matéria intitulada “Delação de ex-diretor da Odebrecht atinge Temer e cúpula do PMDB” a publicação informa:

Nas 82 páginas do documento, Melo Filho detalha sua relação com os dois principais grupos do PMDB, o do Senado, capitaneado por Renan, Eunício e Jucá, e o da Câmara, historicamente liderado por Temer, Padilha e Moreira Franco. No depoimento, o delator narra um suposto pedido de Temer por ajuda financeira para as campanhas do PMDB em 2014. Marcelo Odebrecht autorizou o repasse, segundo a delação, de 10 milhões de reais ao partido.

Naquele ano, 4 milhões de reais teriam sido entregues aos cuidados de Padilha e 6 milhões para a campanha do peemedebista Paulo Skaf ao governo de São Paulo. Cerca de 1 milhão de reais dessa operação foi repassado, diz o ex-diretor, ao deputado cassado Eduardo Cunha, que inclusive teria reclamado da demora na confirmação do pagamento. 

Segundo outra publicação pelo grupo Folha, na matéria “Odebrecht delata caixa 2 em dinheiro vivo para Alckmin” outro importante acionista do golpe o PSDB se vê implicado nas denúncias:

...R$ 2 milhões em espécie foram repassados ao empresário Adhemar Ribeiro, irmão da primeira-dama, Lu Alckmin. A entrega do recurso, de acordo com os termos da delação, ocorreu no escritório de Ribeiro, na capital paulista.

Em 2010, o tucano foi eleito no primeiro turno com 50,63% dos votos válidos –o segundo colocado na disputa foi o ex-ministro Aloizio Mercadante (PT).

Em 2014, o caixa dois para a campanha de reeleição de Alckmin teve como um dos operadores, segundo a empreiteira, o hoje secretário de Planejamento do governo paulista, Marcos Monteiro, político de confiança do governador.

Na mesma matéria outro nome cotado pelo PSDB para a disputa eleitoral de 2018, o Ministro golpista de relações exteriores também é “contemplado”:

Um dos executivos que delataram o caixa dois é Carlos Armando Paschoal, o CAP, ex-diretor da Odebrecht em São Paulo e um dos responsáveis por negociar doações eleitorais para políticos.

Ele faz parte do grupo de 77 funcionários da empreiteira que assinaram há duas semanas um acordo de delação premiada com investigadores da Lava Jato.

CAP, como é conhecido, também fez afirmações sobre o suposto repasse, revelado pela Folha, de R$ 23 milhões via caixa dois para a campanha presidencial de 2010 do atual ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB).

Tais transações envolvendo a cúpula do PSDB, em especial o atual governador do estado de São Paulo eleito em 2010 e reeleito em 2014 e seu antecessor José Serra eleito em 2006 tem ligação com a execução de obras como a duplicação da rodovia Mogi-Dutra e a linha 4 amarela do metrô paulistano que atualmente opera sob o controle da iniciativa privada.

Digo tudo isso por uma razão muito simples, como vimos não faltam razões para que Pemedebistas e tucanos quisessem a vaga do relator, apesar disso  tenho defendido em particular que não acredito em assassinato, e me baseio naquilo que em princípio parece ser o Óbvio: Por qual razão Carlos Alberto Ferreira Filgueiras que era proprietário do avião estaria dentro dele sabendo da possibilidade de um atentado contra o magistrado?

E insisto no fato de ele ser o dono na medida em que era também de responsabilidade de seu grupo empresarial (Grupo Emiliano) a manutenção da aeronave de modo que para que seja minimamente verossímil qualquer “teori da conspiração” alguém ligado a manutenção do veículo tem que aparecer implicado no incidente, outra possibilidade teria que ser provar que o piloto Osmar Rodrigues era Kamikaze, ou ainda provar o abatimento externo.

Obviamente que mesmo que se comprove que de fato não foi um atentado o episódio abre brecha para que o planalto utilize de sua prerrogativa da indicação de um nome de sua confiança, pressões para a nomeação do aventureiro Sérgio Moro já existem desde o primeiro momento e isso abre um novo momento político no contexto nacional mais recente. Um novo momento, mas com o mesmo enredo, neste contexto não é possível descartar que ocorra sai uma intervenção militar como fora solicitado pelas manifestações de direita ocorridas nos últimos anos sob a égide da “soberania nacional”, nem tão pouco está garantido o pleito de 2018. Ou alguém confia que vai acontecer? E se ocorrer e qualquer um que não esteja neste campo ganhar (Lula, por exemplo), será que assume?

E apenas para dizer que não falei das Flores...

 O site “Poder 360” que fez a seguinte afirmação em sua matéria “Saiba como a morte de Teori Zavascki atrapalha o governo de Michel Temer”

Magistrados do STF, como se sabe, têm salário mensal de R$ 33.700. Mas Teori há vários anos se hospedava em São Paulo num hotel, o Emiliano, cuja diária, por baixo, era de R$ 1.500.

A amizade entre 1 juiz e 1 empresário pode permitir que 1 receba do outro diárias de hotel? No Brasil, pode. E tudo é tratado com naturalidade pelo establishment e pela mídia tradicional.

No texto eles ligam essa análise ao fato de que Filgueiras responde processo de crime ambiental em Paraty, contudo o site de O Globo informa da participação societária deste no banco BTG Pactual ao lado de André Esteves preso em 2015 pela Lava-Jato sob acusação de aliciamento à família do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para que ele não fizesse acordo de delação premiada a mesma operação policial o ex-senador Delcídio do Amaral foi preso.

Sobre essa matéria em 17 de dezembro, Teori determinou ao banqueiro prisão domiciliar, depois da alegação que a prisão havia se dado pelas declarações de Delcídio, que havia falado sobre a participação de Esteves e em abril de 2016, revogou a prisão domiciliar e permitiu que ele voltasse a trabalhar.

E ai mais uma vez provoco-os a somarem “dois mais dois”: “Onde está o crime concretamente? No avião que caiu, porém sem dados concretos para análise de que teria sido proposital ou na relação perniciosa de magistrados “austeros, “incorruptíveis” e tecnicistas” com empresários e políticos de carreira na frágil democracia que vivemos?

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