Commune-se: Uma terra sem amos…

Já ouviram a expressão “cobertor de pobre”, pois é, provavelmente já ouviram sim, afinal é uma expressão tão antiga quanto popular, tenho a sensação de viver em um mundo como esse onde tentam nos mostrar que todos cabem no cobertor, no entanto não cabem, acontece que além de não haver espaço suficiente normalmente o cobertor só cobre a cabeça deste imenso corpo deixando sempre os pés descobertos.

Não entendeu nada?

 Pense da seguinte forma, imaginem que a sociedade moderna é um imenso corpo com setores responsáveis pela circulação de bens e consumo, (bombeamento do sangue), respiração e oxigenação, setor produtivo, e evidentemente cada um desses é muito importante para o funcionamento do organismo, contudo estão todos sob o comando do sistema nervoso que tem centralmente sua principal parcela no cérebro (Poder político e econômico que via de regra estão lado a lado) dentro dessa estrutura, ocorre que nada disso seria possível sem a musculatura e a estrutura óssea (classe trabalhadora) que dão sustentação para tudo isso.

Agora imaginem que o sistema nervoso simplesmente ignora essa informação e se limite a determinar aquilo que é o papel dessa base de sustentação social (isso já lhe parece familiar?), mas ao contrário daquilo que ocorre no caso do organismo imaginem que cada grupo muscular ou componente de sua ossatura fizesse aquilo que acha melhor, sem um propósito único e o mínimo de articulação.

Pois bem, essa é justamente a relação que os movimentos sociais, sindicais, estudantis, correntes e partidos políticos de esquerda tem com a institucionalidade (poder público), enquanto este tem uma organicidade, comando e um programa muito bem definido, as esquerdas não estabelecem minimamente um diálogo capaz de estabelecer um rumo comum e isso dá a prerrogativa a cabeça por abrigar o “sistema nervoso central” a prerrogativa sobre o cobertor.

Em minha modesta opinião já temos correntes e grupos demais querendo dar a linha do movimento, o desafio daqui por diante está em cunhar métodos que permitam articular essa base na luta contra os privilégios relativos ao controle do cobertor que nós produzimos, mas não nos beneficiamos.

Minha proposta é contribuir e buscar pessoas dispostas a contribuir nesse debate, pessoas que pensem no papel dos movimentos, na correlação de forças necessária, nas bandeiras que empunhar buscando um diálogo para que no movimento e em luta possamos coletivamente estabelecer um programa de frente única contra burocratas e patrões, vou através do Escola dos Communs buscar as ferramentas de contribuição que conceitue essa proposta.

Nesse sentido o Commune-se surge como uma abstração dessa concepção onde sua principal função é aglutinar para darmos um rumo para sua atuação, um conceito sem formato definido, mas com o indicativo da construção de ser um grupo de estudos, quiçá a semente de um fórum permanente, suprapartidário, e classista que agregue aos movimentos desta base social com a intenção de promover o diálogo.

O “Commune-se” surge da página Communa de São Paulo, originalmente um espaço de divulgação que prestava homenagem para a histórica Comuna de Paris, mas é preciso ampliar e agregar e então veio a transformação.

Para quem não sabe na Itália o termo “Comuna” que possivelmente vem de “comunidade” é a estrutura básica da federação, equivale as cidades no Brasil, no termo Commune-se busquei trazer um pouco desse espírito de tal modo a nos pensar como uma comunidade, mas brinco ao olhar o termo de várias formas e neste caso assim como o projeto Escola dos “Communs” esse conceitual reivindica o homem e a mulher comuns, camponeses, e trabalhadores urbanos, reivindica o comunismo científico de Marx e Engels, e Trotsky, e Rosa Luxemburgo, e Lenin...

Reivindica o espírito revolucionário que identifica os anarquistas como camaradas de luta mesmo que fraternalmente discorde de alguns de seus métodos, mas que entende na necessidade de união contra essa direita que se apropria do cobertor e deixa a todos passando frio.

Commune-se é um convite ao elemento que une esses dois grupos (socialistas e anarquistas), o desejo da sociedade comum, livre e igualitária, sem opressão de qualquer natureza e a estrutura de poder público que representa conceitual e objetivamente o chamado estado democrático de direito que não tem nada de democrático e pouco em direitos.

 

 

    Participe do grupo do Commune-se no Whatsapp.

Deixe uma resposta