Crítica de arte: 1/3 Percepções em “dois mundos”

Por Leandro Aguiar

Eu confesso que comecei o livro com certo nível de “confusão mental”, pois ao contrário de obras mais convencionais esse autor estabelece duas narrativas em linhas bastante distintas como se fossem dois livros com objetivos completamente desencontrados, mas isso muda com o passar do tempo.

Gradativamente a saga “mítica” vai se mesclando a vida do, para dizer o mínimo, “pragmático” jornalista em uma inferência direta do sagrado no profano, ou seria do Orun no Ayê?

Na prática assim como na vida temos as duas dimensões como uma “coisa só”, é o divino e o profano, o sagrado e o terreno que “ocorrem no mesmo plano, mas em vibrações distintas” conformando uma grande introdução que irá permitir a compreensão do porvir.

Penso que o livro em dados momentos é excessivamente pedagógico, creio eu que em uma tentativa de aproximar o leitor “leigo” e ao fazer isso promove algumas repetições desnecessárias, ainda assim é algo muito pontual e quase imperceptível aos olhos da maioria de nós não suplantando sua principal característica que é o estabelecimento de um olhar generoso e delicado sobre a rica cultura Iorubá que tradicionalmente é demonizada pelas distintas correntes da religiosidade cristã.

Outro destaque da obra de PJ Pereira é a substituição dos tradicionais capítulos numéricos por capítulos temáticos, mas complementares de tal modo que estes acabam gerando um “efeito novela” onde o leitor  acaba envolvido por um “enredo” que gera curiosidade pelo próximo capítulo alternando pontos altos e baixos da trama. Que venha o livro da traição!!!!!

Leandro Aguiar  é filho de Xangô, foi um dos lutadores que foi demitido pelo Governo Geraldo Alckmin por fazer greve na Fundação CASA exigindo melhores condições de trabalho, atualmente é professor na rede pública estadual e editor do Blog Escola dos Communs.

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