Crítica de arte: Democracia em preto e branco, uma história à ser contada.

Em meio a um clima de uma ditadura decadente a cena do Rock emergente o Corinthians vivia uma de suas eternas crises, #sqn !!!!

Por Leandro Aguiar

Não era apenas mais uma, mas  o nascedouro de uma das páginas mais singulares e significativas do futebol mundial, algo que nos distingue significativamente como clube de quaisquer outro  e é como costumo dizer que muitos clubes por ai têm títulos, tradição e eu “bato palmas para eles”, mas apenas nós termos títulos, tradição e história (história operária) e para que não pairem dúvidas quando falo nós digo “Sport Club Corinthians Paulista”.

Somos um clube que nasceu das malocas (favelas se preferirem) paulistanas, no bairro operário do Bom Retiro sob influência de socialistas, anarco-sindicalistas operários da “estrada de ferro São Paulo Railway”, que aceitava negros em campo em uma época que poucos aceitavam e que representa a grande maioria de trabalhadores e trabalhadoras, homens, mulheres homossexuais, heterossexuais, transexuais... Sim, você não errou naquilo que leu eu disse exatamente aquilo que está escrito e por uma razão muito simples, a máxima de Miguel Bataglia "O Corinthians vai ser o time do povo e o povo é quem vai fazer o time"se concretizou queiram os reacionários ou não.

E é esse “DNA” que se manifestou em 1982 no advento da “Democracia Corinthiana” com Sócrates, Casa Grande, Wladimir, Biro-Biro, Zenon e que apontava o dedo para a cara da ditadura dizendo queremos sim participação política e democracia, mas infelizmente o filme “Democracia em preto e branco” que é bem intencionado não é suficientemente profundo para contextualizar e cumprir sua proposta de unir política, rock e futebol falando-se pouco da situação política no país com um fraco elo da política no clube e o Rock? Bom o Rock é uma pálida referência no roteiro.

Lamento a tentativa de agradar Gregos e Troianos (Petistas e Tucanos) com as presenças de Lula e FHC na medida em que me pareceu bastante pertinente à presença de Lula, já a de FHC...

Também não entendi o pouco espaço dado a Juca Kfouri, Washington Olivetto bem como o espaço dado para caras como o psicanalista Flávio Gikovate.

A trilha sonora é mal explorada e a fotografia é fraca, vale à pena como registro e compensa assistir, mas não a ida ao cinema, está aquém do todo poderoso.

Ainda assim algumas informações e referências são importantes, estão presentes referências de teoria Marxista clássica bem como faz justiça a figuras menos badaladas como é o caso de Waldimir que mais que um ídolo do futebol foi um operário da nobre arte bretã à serviço das lutas populares em um momento de acirramento da luta de classes.

Leandro Aguiar é filho de Xangô, foi um dos lutadores que foi demitido pelo Governo Geraldo Alckmin por fazer greve na Fundação CASA exigindo melhores condições de trabalho, atualmente é professor na rede pública estadual e editor do Blog Escola dos Communs.

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