Em caso de Dória, Russomano, ou Marta: Vote em Haddad!

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Por Leandro Aguiar

Tendo como referência tudo aquilo que foi dito nos artigos anteriores se por um lado temos uma massiva participação da direita mais reacionária que se apoia na onda conservadora advinda da crise econômica de 2008 e da falência do PT que desde os anos noventa passa a caminhar cada vez mais para a direita por outro temos uma esquerda ainda mais fragmentada que não apresenta respostas contundentes para o rebaixamento da qualidade de vida da classe trabalhadora brasileira que a partir de 2013 começa sentir de forma tardia os efeitos da crise.

Nada mais emblemático do que pensar Haddad ao centro dos dois blocos, e o termo que melhor o define é “centro”, Haddad é progressista o suficiente para bancar projetos como as polêmicas ciclovias, o UniCEU, ou o Transcidadania, mas é conservador o suficiente para não bater de frente com os empresários do setor de transportes ao ponto de se desgastar frente à população para manter as tarifas como ocorreu nas manifestações de junho de 2013, usar de sua GCM para a repressão da população principalmente os moradores de rua, ou até mesmo para coligar-se com PROS e PR que estão na base de Temer e negando inclusive a ocorrência do golpe, ao mesmo tempo em que reproduzem dois discursos completamente antagônicos e incoerentes que são “o mal menor” e “a volta da direita ao poder” e nesse sentido meus questionamentos são:

  • Quais mudanças a burguesia desejou que não foram efetivamente executadas?
  • Qual foi o enfrentamento real produzido por Fernando Haddad?
  • Existiu alguma mudança estrutural na vida dos moradores e moradoras da cidade de São Paulo que passasse inclusive por cima da política conciliadora com embasamento em migalhas e concessões promovidas por Lula/Dilma no plano federal?

Como vemos o discurso esquerdista de Haddad não resiste a um simples olhar mais superficial e quando olhamos ainda mais perto veremos que os partidos que neste momento se alinham ao projeto de reeleição petista são via de regra bastante volúveis em suas posições e tem em sua base a chamada Bancada BBB uma bancada que tem em seu cerne as demandas de setores como os grandes latifundiários, militares e lobistas da indústria armamentista e setores da poderosa bancada evangélica conforme bem analisaram os camaradas do MRT.

Esses ramos sociais certamente têm muitos interesses na capital Paulista que conforme eu mesmo já demonstrei em outros artigos é o epicentro do capital da América latina, uma das maiores cidades do mundo e que conta com o terceiro maior orçamento público do Brasil perdendo apenas para a própria União e para o governo do estado de São Paulo assim como os grandes empresários, porém é inegável a base social que dá sustentação ao petismo.

Uma base que ao mesmo tempo causa constrangimentos e serve de esteio político de sustentação isso acontece devido a grande quantidade de ONGS que são conveniadas a prefeitura e que com isso recebem repasses devido aos convênios e que não necessariamente o fazem de forma ilegal, mas que se utilizam das brecha legais para se manterem em pé ao mesmo tempo que fazem o trabalho de cooptação através dos programas sociais que nada mais são do que uma política de concessões para amansamento do campesinato e do operariado que com isso não rompem com o petismo.

Haddad é uma figura que devido a sua trajetória e formação política serve de elo aos dois mundos dialogando com a burguesia e com isso mantendo o projeto político eleitoral, mas ao mesmo devido a chancela de Lula é aceito na base da pirâmide social.

O Paulistano nascido na emblemática data de 25 de janeiro de 1963  formou-se bacharel em Direito na Universidade de São Paulo nos idos em 1985 com especialização em Direito Civil a mesma universidade onde tornou-se mestre em Economia e doutor em Filosofia,”Uspiano” de carteirinha Haddad é professor licenciado de de Teoria Política Contemporânea.

Ainda como estudante filiou -se ao PT em 1983 e passou a ocupar o cargo de tesoureiro de tesoureiro do Centro Acadêmico XI de Agosto, entidade representativa dos estudantes do Largo São Francisco.

Foi analista de investimento no Unibanco, mas em 2001 assumiu como subsecretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico da cidade de São Paulo na gestão de Marta Suplicy, posteriormente foi assessor especial do Ministério do Planejamento e Finanças na gestão Guido Mantega (2003-2004) e em pouco tempo migrou em uma carreira meteórica para trabalhar ao lado de Tarso Genro, então ministro da Educação, como secretário-executivo deste ministério.

Em 2005 em meio à crise do Mensalão assumiu como ministro mantendo-se no cargo durante o governo Dilma, Haddad deixou o cargo em 2011 como aposta de Lula para a corrida municipal em São Paulo.

Ele tem a cara daquilo que o PT quis se tornar, um partido que viu escoar entre seus dedos a identidade que forjou nas lutas e que sem pudores abriu mão para abraçar ao golpista Temer.

Mais emblemática que sua localização política em um cenário quase que de “terra arrasada” onde pairam incertezas somente a sua foto de campanha que apresenta a página oficial do facebook em meio a algumas dezenas de crianças, mulheres e homens negros que seguem na periferia das políticas petistas.

Haddad não é política para ganhar, mas para perder menos, é um voto para respirar por aparelhos, para mim é a nítida sensação de ver uma daquelas caixinhas com "vidro de emergência", pragmaticamente um plano B.

4 Comments

  • Darlene

    Está extremamente equivocado quando fala da ONGs e dos processos de Conveniamento. Primeiro porque todo esse processo não é feito através de “brechas”na lei, mais sim em um sistema maior chamado SUAS, que é Nacional, e normatizado por legislações Municipais, que no caso de SP, por exemplo, parte de audiências públicas abertas e com participação popular, e fiscalizadas por Conselho tripartite, eleito. Enfim, essas “ONGS”, tem um trabalho muito anterior aos Conveniamento e atuam nos “sertões” da Capital paulista, em muitas vezes como única alternativa da população daquele território.

  • Tenho acordo com sua análise mas discordo frontalmente de sua conclusão. Chega do “mal menor” na hora de votar, já deu tempo de todos aprenderem que desvincular a política cotidiana, da luta de classes, da eleitoral leva apenas ao beco sem saída da conciliação de classes do pt, mesmo caminho traçado pelo psol com Erundina que mudou de lado há muito tempo, já que o PSB, seu ex-partido, compôe o governo Alckmin.
    Sintomático que nesse página não tenha nenhuma menção à candidatura do Altino do PSTU, único que se enfrentou com Alckmin na heróica greve dos metroviários e nos deu, aos professores, a palavra de ordem mais gritada em nossa greve: “NÃO TEM ARREGO!”.
    Como grevista estadual e municipal contra Alckimin, Haddad e Chalita vejo que só temos uma alternativa: LUTE E VOTE 16! FORA TEMER, FORA TODOS! QUE DILMA E CUNHA NÃO VOLTEM! Por eleições geraís e uma Greve Geral contra os ataques dos governos!

  • Leandro Aguiar

    Eu pretendo tratar sobre a candidatura do Altino no próximo artigo sobre o tema e explicar como cheguei. Obviamente que não tenho a pretensão de que todos concordem comigo, mas de qualquer forma penso que mesmo não me sentido mais militante e sentindo que dificilmente eu volte a estar organicamente em uma corrente posso usar este espaço para refletir sobre.

    Leia também:

    http://escoladoscommuns.com.br/eu-quero-uma-pra-viver/
    http://escoladoscommuns.com.br/tao-diferentes-mas-tao-iguais/

  • Leandro Aguiar

    Respeito o direito a discordância, contudo é reconhecido por grande parte do movimento que é prática do PT manter sua base sob controle usando de concessões que de certa forma financiam essas organizações, é assim com o MST e é assim em SP com diversas OS’s que inclusive são coagidas por seus dirigentes sindicais impedindo a sua livre organização, isso justifica o fato de que não se levantam contra o baixo índice de assentamentos ou o não enfrentamento as práticas de especulação imobiliária pelo prefeito Haddad.

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