Lutar para educar! Educar para luta!

charge2009-gritoindependenciaPor Leandro Aguiar

Nada mais oportuno do que discutir educação hoje e vamos começar de uma breve, mas conhecida história para entendermos as argumentações que se seguirão:

Oficialmente comemora-se em 07 de Setembro a chamada independência do Brasil é um processo que vai de 1821 a 1825 e que abre um profundo conflito entre o Reino do Brasil e o Reino de Portugal, dentro do que até então se conhecia por Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

As Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa tomam decisões que a partir de 1821 reduziriam o status do Brasil que retomaria o seu antigo estatuto colonial.

Tudo começa com a vinda da família Real ao Brasil que recusa-se a participar do bloqueio continental contra o Reino Unido, incapazes  de resistir a represália Francesa os Orleans e Bragança fogem para o Brasil, que era então a mais rica e desenvolvida da colônia lusitana.

Com a chegada dos novos e ilustres moradores o Brasil começa a delinear uma nova condição econômica fruto direto da abertura dos portos em 1808 e da sua consequente elevação de status que fora consumada em 16 de dezembro de 1815 ao determinar ao Brasil à condição de reino, unido com sua ex-metrópole.

Sabe aquele tipo de situação onde ‘você’ diz: “Isso não vai dar certo!”, pois é. É neste ponto que retomamos ao inicio do texto.

Com a ‘eclosão de, uma revolução de cunho liberal  em Portugal  a família real se vê obrigada a retornar para Lisboa para tal D. João nomeia o seu filho mais velho, D. Pedro de Alcântara de Bragança, como Príncipe Regente do Brasil (1821).

Fiel ao seu pai, mas pressionado de um lado pelos interesses políticos da elite local e pela vontade Portuguesa em retornar o antigo Estatuto colonial para o Brasil ‘ocorre’ o controverso “GRITO DO IPIRANGA”(Riacho do Ipiranga, atualmente região da Zona Sul de São Paulo).

Oficialmente comemoramos a independência em 7 de setembro de 1822, embora muitos historiadores utilizem o 12 de outubro de1822, data em que o príncipe foi proclamado imperador (D.Pedro I) do Império do Brasil.

Assim começou a guerra de independência  que após de três anos de conflito armado consegue finalmente de Portugal o reconhecimento da independência do Brasil com a assinatura do ‘Tratado de Amizade e Aliança firmado entre Brasil e Portugal’ em 29 de agosto de 1825, o acordo previa uma substancial indenização (2 milhões de libras esterlinas) paga pelo Brasil.

Eis o pulo do gato para a compreensão do todo, com essa operação o Brasil seguiu ‘colônia’ e quem você leitor acha que pagou e paga pela pseudo independência?

Evidentemente não é possível fazer a ilação do atual endividamento com a dívida inicial, mas do ponto de vista mais geral qual a diferença conceitual?

Façamos um comparativo:

Em 21 de Fevereiro de 2008 o Brasil anunciou com pompa o pagamento de sua dívida externa, de acordo com o próprio governo, na época, o total de ativos do país em dólares já superaria a dívida do setor público e privado. Na prática isso significaria que toda a dívida externa poderia ser paga utilizando apenas as aplicações dos setores público e privado no exterior segundo os comandados de Lula só as chamadas reservas internacionais acumulavam US$ 180,3 bilhões no final de janeiro superando, assim, o valor da dívida externa em U$ 4 bilhões.

A realidade mostra que na verdade houve uma manobra de troca da dívida interna pela externa, o mesmo que R$ 1,2 trilhão, ou 65% do PIB, o valor de tudo o que o país produz em um ano.

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Os títulos da divida interna emitidos pelo governo são mais caros e com prazos mais curtos, sendo assim a dívida só aumenta, em dezembro de 2006 era de R$ 1,092 trilhão. Doze meses depois somava R$ 1,224 trilhão. A ao final de 2008 dívida pública total, interna e externa, estava em R$1,311 trilhão e dados recentes indicam que em 2014 atingimos incríveis R$ 2, 168 trilhões, 968 bilhões apenas com os juros que comprometem 45,1% do orçamento da União e em cima de dados repito, qual a diferença conceitual?

A mesma lógica que transferiu a posse dos privilégios coloniais nos submete a política imperialista do FMI é ela que retira recursos da saúde, transporte, saneamento básico, e educação entre outros, e nestas circunstâncias o mesmo orçamento que destina quase a metade de todo o valor disponível para pagamento das dívidas reserva 3,7% para educação pública.

Nos estados não é diferente, o ataque a previdência do funcionalismo paranaense, o corte da licença prêmio e a resolução de não contratar mais com o aumento dos fechamentos de sala de aulas em São Paulo é parte do mesmo principio, e isso apenas para pegar dois exemplos é com esta deixa que vou dialogar com Nassif e seu artigo Por que ninguém mais quer ser professor na escola pública?, quando o autor diz que a falta de disciplina, interesse e respeito, influem ele está correto, quanto ele diz que a ausência de estrutura, valorização profissional e, portanto condições de trabalho influem ele está certo, quando ele diz:

 “Jovens, educadores e pais são vitimas do modelo educacional político social e histórico. A melhoria da qualidade da educação acontecerá na medida em que o país melhore a qualidade de vida da sua população, valorize a nossa cultura e desvincule do modelo de práticas curriculares eurocentrista, uniformizadora e colonizadora.”

Ele também está certo, somos resultado desse processo histórico de submissão as grandes potências quer seja Portugal e Inglaterra do século XVI, quer seja os Estados Unidos  nos séculos XIX, XX ou XXI, mas falta a conclusão, não se trata de mera falha em virtude da incompetência do governo de plantão, mas de uma opção política.

A dita independência é um processo palaciano que teve única e exclusivamente a intenção de preservar os interesses das elites burguesas onerando o trabalhador que paga para ser explorado, assim sendo a dilapidação da educação pública é uma política consciente de desmobilização, manobra e oneração das massas, e sua libertação passa necessariamente pela superação destes valores culturais tão arraigados em nosso imaginário.

É papel da esquerda combativa e não institucionalizada canalizar esse sentimento para as ruas e instrumentalizar as massas que são objetivamente o sujeito revolucionário, a atual crise politico/econômica apenas aprofunda a premência e como um mantra a insisto:

É necessário convergir em uma frente única de combate à direita e a burocracia estabelecidas no poder, é preciso simplificar nosso discurso sem tornar o programa raso e isso passa por discutir claramente ações de construção de uma imprensa operária e desmantelar as políticas públicas de comunicação social, é preciso abraçar os movimentos sociais inserindo-os na luta direta, é preciso parar com os melindres.

Durante vinte e quatro horas do meu dia, sete dias por semana sou e serei professor, em sala de aula seguirei dando murro e ponta de facas, se necessário, principalmente porque leciono na periferia de São Paulo, para filhos e filhas de trabalhadores de uma região operária, todavia sou apenas um e precisamos de mais, tá na hora da classe em bloco e em movimento.

10427341_754494814604347_8038451554430186122_nLeandro Aguiar de Sousa é filho de Oxalufã e Airá, historiador, professor titular da rede estadual de São Paulo, foi um dos ativistas que empreenderam recentemente 92 dias de greve por educação pública de qualidade e para todos. É articulador do Projeto de mídia popular Escola dos Communs.

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