Manifestação de brinquedo.

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Ato Unificado de Professores, servidores públicos e estudantes. 23/09/16 Av Paulista. Crédito: Leandro Aguiar

Por Leandro Aguiar

A sensação que me dá é que voltamos aos anos 60, mas com a militância dos anos 10 do século XXI com o governo Temer preparando todo o seu aparato para coibir qualquer resistência, reação esta que que seria previsível dada a intensidade de seus ataques, mas sem razão de ser na medida em que seguimos fazendo política como se a conjuntura atual indicasse a temperatura  e intensidade usuais.

Hoje ocorreu aquele que prometia ser um grande ato com paralizações nacionais, manifestações categóricas, as principais vias das cidades brasileiras paradas, e na prática vimos atos minoritários e inexpressivos, chega a ser patética a emblemática celebração da presidenta Bebel da Apeoesp que informou 50% de escolas paralisadas.

Durante toda a atividade as correntes se revezavam ao microfone para tentar impor sua política em uma movimentação contrária ao discurso de unidade, na pauta ainda está a fracassada greve de 2015, ano que foi salvo única e exclusivamente pela mobilização dos estudantes do estado de São Paulo que entenderam mais claramente o recado e responderam de forma mais eficaz.

Mais uma vez os estudantes são protagonistas e nos dão aula de como fazer política em atos que são de longe mais bem organizados e expressivos que os nossos que deixam claro que enquanto os egos falarem mais alto que a urgência da situação não haverá luta, muito menos resistência.

Temer segue “nadando de braçada” com medidas que vão desde a ampliação da jornada de trabalho, passando pelo “escola sem partido” e enfim “desaguando” no “puxadinho” que ele fez para o já precarizado ensino público.

No auge da manifestação era possível falar em 20 mil pessoas, sendo que da assembleia efetivamente não participaram nem mesmo 10 mil pessoas sendo que boa parte nem eram professores que aprovaram aquilo que Bebel chama de calendário de lutas, à saber, uma mobilização para uma caravana que nos levará para Brasília e a próxima assembleia no dia 21/10.

Difícil de acreditar nesta improvável resistência quando as entidades de classe não organizam, não propõem, não são vanguarda, menos ainda em uma greve geral posto que não conseguimos minimamente fechar as nossas escolas, e com isso tempos sombrios devem vir e o fim de 2016 é apenas o prenúncio de uma realidade significativamente mais  tenebrosa.

Veja as fotos da Assembléia de professores e do ato unificado em São Paulo.
10427341_754494814604347_8038451554430186122_nLeandro Aguiar  é filho de Oxalufã e Airá, historiador, professor titular da rede estadual de São Paulo, foi um dos ativistas que empreenderam em São Paulo  92 dias da histórica greve por educação pública e de qualidade é editor do Projeto Escola dos Communs.

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