Minha retrospectiva pessoal.

Por Leandro Aguiar

Eu podia estar matando, podia estar roubando, mas estou humildemente aqui fazendo essa piadinha tosca, imensamente utilizada e, portanto batida, mas não obstante estou pensando e muito em tudo que aconteceu nos últimos anos em que gradativamente me desconstruí, rigorosamente tudo que eu tinha como “vida” veio abaixo e a despeito das bordoadas que tomei em 2014 esse foi um ano de reflexão que na verdade estão inconclusas e devem se encerrar ao longo de 2015, ainda assim servem como referência para constituir as bases de um futuro em médio e longo prazo.

As intermitentes crises depressivas não raramente foram acompanhadas de conclusões que para qualquer um que está apenas observando beira o absurdo, ainda que não sejam originais, eu, por exemplo, pensei em morrer, e cheguei a pesquisar remédios que poderia tomar para “curtir” o processo, evidentemente não consegui ainda que tenha estado próximo de factualmente vir a óbito depois de um ataque covarde onde fui severamente agredido, roubado e abandonado a minha própria sorte, no meio do caminho perdi o emprego depois de assédio moral e perseguição política na Fundação CASA, não casuais (evidentemente), ela foi motivada por uma forte militância de base e atuação profissional bastante contestatória, para quem não sabe eu fui agente educacional que é o profissional da área da pedagogia que na “Febem/SP” é o responsável pelo acompanhamento e orientação escolar dos jovens reeducandos e eu marquei minha atuação pela altercação contra a postura truculenta da instituição e que é tida como regra, algo normal, não por uma, ou duas vezes combati falas racistas, machistas e homofóbica, fiz a defesa do povo do Pinheirinho, inclusive com a exibição do documentário “Somos todos Pinheirinho” levando informação e reflexão acerca de sua própria condição, por algumas vezes fiz intervenções orientando-os abertamente sobre seus direitos e providenciando xerocópias do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Em termos políticos além dos debates internos destaco dois elementos:

Primeiro fui candidato por uma chapa de oposição formada por ativistas independentes e a CSP Conlutas e para minha surpresa e da direção do sistema prisional infanto-juvenil  de Geraldo Alckmin quase ganhamos, em segundo devido (apesar de afastado pelo INSS) participei de uma valente e radicalizada greve produzida pela nossa base ,apesar do sindicato, nela fiz piquetes e atos emblemáticos ombro a ombro com mulheres e homens de imenso valor.

Minha demissão “justificada” pelo estágio probatório se deu em um contexto de transferências, aberturas de processos e punições administrativas de inúmerxs ativistas que levaram a greve no “peito”.

Desisti de lutar devido a minha falta de vontade de voltar ao chamado “ambiente socioeducativo” e convocação para assumir cargo de professor titular do sistema público de educação do Estado de São Paulo em uma nomeação absolutamente atribulada, mas que consegui “levar” aos trancos e barrancos.

No meio do caminho achei tempo mesmo com a intermitência do meu blog que como podem ver está desatualizado fiz algumas coberturas  improvisadas de Assembleias de metroviários, convenções eleitorais do PSTU, Assembleias da Apeoesp e atos como o “Contra a direita por direitos” e mais recentemente o “FERGUSON É AQUI! O povo negro que viver!”

Em meio a uma coisa e outra fui gradativamente retomando a observância e os cuidados aos meus Orixás que já vinham do segundo semestre de 2013 e nessa conclusiva esse elemento é essencial porque determina um retorno de mim a mim mesmo, um respeito necessário a minha essência e ai não precisa acreditar, fé apenas se respeita.

Não tenho dúvida que estes caminhos foram traçados pelo senhor Exú e pelos Babás Oxalá, Xangô e Ia Oxum que me levam a ter clara a primeira meta estabelecida para 2015, minha iniciação de Santo (raspagem de cabeça) e que não entrarei em detalhes porque não é o espaço e nem o modo mais correto, mas que pode ser explicada apenas pela necessidade de trabalhar a minha espiritualidade que encontrou no terreiro “Ilê Obá” e nos braços afetuosos de pai Rodney de Oxóssi e Mãe Débora de Nanã um lugar onde havia conselhos e acalanto mais do que essenciais para o momento.

Por outro lado foi lá também que encontrei estímulo para repensar o projeto do Escola dos Communs a minha segunda grande meta que de alguma forma trouxe algumas indicações profissionais que foram apontadas nos búzios, aliás os “filhos e filhas do Escola” que virão na forma de obras literárias e exposições fotográficas são outra grande meta ao lado de minhas irmãs Rosário Medeiros e Lu Cerqueira e ao articular isso serei obrigado a repensar a militância orgânica, afinal devo militar na base de professores me filiando na APEOESP? Aderir a alguma corrente política?

Não sei, o PSTU segue sendo a organização com a qual tenho mais afinidade ainda que eu veja problemas sérios, além de que preciso de um pronunciamento deles sobre questões pessoais minhas e que uma hora ou outra precisarei de alguma forma cobrar ao mesmo tempo tomei contato com algumas outras que respeito e que não me furtarei conversar.

Precisarei de um rearranjo financeiro, um canto pra morar e a retomada de minhas atividades físicas que tanto me faziam tão bem e por fim pensar, pensar, pensar em algumas feridas que ainda estão abertas e que podem determinar aspectos íntimos do porvir.

Leandro Aguiar  é filho de Xangô, foi um dos lutadores que foi demitido pelo Governo Geraldo Alckmin por fazer greve na Fundação CASA exigindo melhores condições de trabalho, atualmente é professor na rede pública estadual e editor do Blog Escola dos Communs.

10155366_640365082683988_7321923229952232498_n

One Comment

  • Darlene

    Como nosso Pai,a gente erra,acerta,recomeça,chora,briga. Mas tudo com sentido,sentimento. Força que vem do coração e nada pode ser mais doído. Dói,ás vêzes,mas gratifica a vida e purifica a alma. Não podia ser diferente, Valente lutador,filho de Xangô.

Deixe uma resposta