Paz entre nós guerra aos senhores: Construir o programa revolucionário nas ruas.

Da Redação

Em vinte e nove dias como prefeito de São Paulo João Dória já colocou a população contra os professores anunciando que para cumprir o acordo de parcelamento do reajuste feito na administração anterior teria que cortar gastos sociais, já deixou a cidade mais cinza apagando os grafites da cidade, já aumentou a quantidade de acidentes nas marginais, e tomou medidas higienistas como a autorização da retirada de pertences pessoais dos moradores de rua pela Guarda Civil metropolitana, enquanto isso nos Estados Unidos  Donald Trump orienta as agências governamentais a boicotarem o “Obamacare” até que ele possa ser revogado no congresso nacional, estima-se que na implantação do referido programa 20 milhões de pessoas sem qualquer tipo de assistência à saúde foram beneficiadas, barrou a entrada de pessoas de sete países de maioria Islâmica em território estadunidense por 90 dias (Irã, Iraque, Líbia, , Somália, Sudão e Iêmen), de quaisquer refugiados por 120 dias e indefinidamente aqueles provenientes da Síria sob a argumentação de que é preciso “impedir o acesso de terroristas radicais”, liberou a construção de duas polêmicas obras devido ao risco de impacto ambiental o o oleoduto Keystone SL, da canadense TransCanada, e o Dakota Access, este último alvo de protestos da tribo indígena Standing Rock, pelo potencial de poluir as águas do rio Missouri, das quais seu modo de vida depende, avançou na criminalização do aborto bloqueando verbas de grupos que orientam e cuidam de mulheres que passaram por este procedimento nos Estados Unidos e exterior entre outros.

Seria mais conveniente para este nível de comparação pegar o governo Temer inclusive considerando a abrangência das medidas, no entanto quis me aproveitar não somente do perfil pessoal dos mandatários que alimentam a imagem do “não político”, mas estas personagens representam muito bem uma “onda a direita” que a humanidade vem surfando ambos empresários e membros de partidos ideologicamente similares, mas principalmente o fato de serem governos neófitos observando as primeiras medidas de ambos, mostrando como a sua visão de uma sociedade “geométrica”, asseada e portanto organizada se assemelha a algo muito próximo ao nazifacismo e qual é o impacto dessa visão de mundo no contexto político nacional.

Os apoiadores de ambos tem um perfil muito claro, são setores da classe média tradicional acostumados com certo status de vida e regalias que dada a crise de 2008 começaram a perder e ai temos uma conjunção de fatores, o aprofundamento da crise, a desarticulação dos movimentos sociais nos treze anos de PT, a fragmentação da oposição de esquerda que vive um claro momento de crise em suas direções, e a reorganização e articulação da direita tradicional que passou a perceber a “necessidade” de retomarem a máquina administrativa com a finalidade de aprofundarem os graves ataques que todo o conjunto de trabalhadoras e trabalhadores já sentiam.

Digo isso por perceber o insistente discurso anacrônico de que um eventual governo de Lula em 2019 serviria para “segurar os movimentos sociais”, quando isso já foi feito e muito bem feito, ou alguém consegue ver o MST verdadeiramente nas ruas neste momento que deveria estar estabelecido o caos para os golpistas? Alguém vê a CUT? Onde estão as frentes Brasil sem medo e Brasil Popular?

Por qual razão os agrupamentos mais à esquerda do petismo principalmente PSTU, PCB, MRT, PCO e afins não se sentam para estabelecer uma estratégia comum?

Vivemos um cenário de incertezas onde não estão asseguradas nem mesmo as bases da frágil democracia burguesa, a instabilidade jurídica de Temer o coloca nas mãos de sua  volátil base aliada que pode deflagrar contra ele próprio o processo do impeachment, precisa de mais para perceber que estará dado o argumento da “manutenção da soberania nacional” considerando o vácuo de poder institucional neste cenário, que Rodrigo Maia é um fiador do processo e que vai fazer garantir a constituição que fala em eleição indireta caso isso ocorra neste intervalo?

Não está claro que caso ocorra uma eleição indireta a possibilidade de não haver sequer o pleito em 2018 será real?

Meus e minhas carxs, por ora a definição de golpe é apenas retórica acadêmica, mas por quanto tempo? Ocorrer ou não eleições não é o problema em si na medida em que na minha opinião a organização deve se dar nos locais de trabalho, ruas e nos movimentos sociais, mas com esta base de resistência tão desarticulada de que forma iremos reagir a um cenário que tem todos os elementos para virar concretamente 1964?

Uma vez instaurado o “estado de exceção” passa a inexistir a constituição de 1988, direitos adquiridos vão se esvair e nós, o que faremos?

Seguiremos defendendo que uma candidatura de Ciro, Lula ou quem quer que seja é útil ao planalto em um discurso que tem no mínimo dez anos para ser modesto, seguiremos tentando impor o nosso programa para a luta nos mantendo isolados e sendo assim alvos fáceis, seguiremos realizando atos esvaziados sem repercussão e eco entre xs trabalhadorxs para dar a pauta ao movimento.

Dória, Trump, Temer, Diretores escolares, de empresas e sindicatos patronais estão todos no melhor dos mundos, um cenário de retração das lutas enquanto nada de novo acontecer, um cenário que aponta greves raquíticas (se ocorrerem) e uma transição quer seja direta ou indiretamente sossegada.

E para dizer que não falei das Flores...

E aos grupos chamados de minorias “homo e transexuais, negros, povo de santo, mulheres”, somos aqui (neste contexto) alvos preferenciais, por experiência histórica nós já sabemos que seremos os mais prejudicados, perseguidos e até mortos, sabemos da não aceitação por este mundo de quem não se enquadra nos dogmas morais, políticos, culturais, socioeconômicos e religiosos, até quando iremos pactuar com essa situação? Até quando iremos reproduzir o discurso da “Casa Grande”, do “Capitão do mato”?

Façamos de cada terreiro, cada associação, cada um dos espaços que ocupamos um Quilombo, é necessário que estes governos não tenham um só segundo de paz, “vamos nas ruas construir o programa revolucionário”.

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