PT e PSTU, diferentes, mas iguais.

Pensei muito em como inaugurar essa nova fase do “Escola dos Communs” que é fruto de anos de reflexão, debates e ataques pessoais e os comuns aos conjunto da classe trabalhadora, e se a proposta é fazer parte do todo a melhor forma é iluminar caminhos para que juntos possamos entender como estabelecer o necessário embate ao cenário de caos que se desenha considerando os golpes desferidos à partir do golpe e do cenário geral de fortalecimento em escala global de setores mais “direitosos”.

Recentemente publiquei um documento que leva o nome “Projeto Editorial: A semente de um instituto?” , um documento que serve como baliza dos encaminhamentos políticos que darei para a minha militância, e escrito dessa forma, no singular, uma vez que reforço ser este oficialmente e definitivamente (ao menos enquanto nada de novo ocorra) um projeto que é conduzido por mim, suas principais matérias, as colunas, o editorial, trata-se de uma maneira de estabelecer contato com o movimento mantendo autonomia e independência tanto financeira como editorial ainda que esteja aberto espaço para replicar aquilo que estiver no ar pelas crescentes ferramentas de imprensa progressista e proletária que se constituam pela esquerda e até mesmo para opiniões de ativistas independentes via colunas  ordinárias ou artigos esporádicos ao longo do próximo biênio, mas qual é a relação de uma coisa com  a outra?

O Projeto Escola dos Communs que já teve a cara de um blog de produção coletiva, semente de uma agência de notícias entre outras aposta neste momento na possibilidade de estabelecer convergências, acreditamos que antes de tudo é preciso articular os diferentes grupos para uma pauta comum ao conjunto da classe trabalhadora uma vez que nitidamente vivemos um período de reorganização diante do fim de dois signos emblemáticos para a esquerda nacional:

a.    Por um lado o modelo “Petista” de conciliação de classes viu seu projeto ruir frente a um cenário que somou uma direita melhor articulada ainda que visivelmente rachada, o abandono de suas bandeiras históricas como consequência direta da conciliação que ainda que iniciada nos anos 90 se aprofundou e efetivou em 2002 com a vitória de Lula nas urnas, e a onda de aparelhamento e corrupção que se emendou para financiar essa estrutura.

b.    Por outro lado vimos um imenso racha no PSTU uma organização aparentemente bem constituída, mas que apostou no isolamento de sua política em relação ao conjunto dos movimentos sociais e até em relação a própria percepção acerca da realidade pelos trabalhadores e com isso o afastamento das massas, o processo de sectarização dos socialistas se dá em condições absolutamente desfavoráveis para a luta pois notamos o surgimento de diversas pequenas organizações que ou se tornam seitas, ou apenas são peças “nanicas” neste tabuleiro sem a capacidade necessária para articulação ou propostas que contemplem as reais necessidades de uma juventude que está afoita por lutar.

Organizações mais tradicionais também parecem se apequenar e desaparecem da cena provocando um imenso lapso que aos poucos é ocupado por discursos reacionários e conservadores.

O surgimento das duas estruturas se dão como exemplos da convergência de setores que entendiam como necessária a luta de bases, o PT dos anos 80 é a resultante da luta ascendente dos operários em greve principalmente no ABC Paulista, uma estrutura que conseguiu reunir de Anarquistas até comunidades eclesiais de base da igreja católica, de intelectuais a operários, se construía em núcleos e atuava na raiz do movimento de esquerda que dava as cartas naquele momento, mas com o recuo das lutas e a ascensão do chamado “Campo Majoritário”[1] com a opção por políticas conciliatórias o PT se transforma em uma imensa colcha de retalhos e sua base em massa de manobras para a manutenção destes no poder.

Por outro lado o PSTU que acertadamente rompe com o petismo acabando por ser expulsos no episódio do “fora Collor” e se unifica em torno do sentimento de uma estrutura que siga para a esquerda dos Petistas é vítima da burocratização de sua estrutura interna que se cristalizou em seus principais dirigentes e dessa forma não consegue abrir diálogo, tão pouco dar conta de suas contradições internas, fato que leva esta corrente a se rachar gradativamente e o partido que é visto pelos próprios militantes como “partido ônibus” dada a volatilidade de seus quadros militantes finalmente tem uma quebra em grandes proporções, o resultado disso é o surgimento do #MAIS uma corrente que disputa espaço com o próprio PSTU e com o MRT uma outra corrente Trotskista que experimenta relativo crescimento, mas sem sair do seu quadrado.

Ocorre que já não é mais opção a convergência dos lutadores, estamos diante de um golpe institucional que acelerou em muito os ataques que o próprio já promovia enquanto governo e que deixa a classe sem efetivos referenciais de esquerda para contrapor tais medidas.

O PT assim como o PSTU precisam se reinventar para não deixarem de existir, legendas como PC do B e PCB, também necessitam de reinvenção para saírem da margem do espectro político, já o #MAIS e o MRT precisam dialogar e convergir para se afirmarem na vanguarda desta nova reorganização da esquerda nacional e puxando consigo as incontáveis organizações que inexistem como efetivas forças políticas.

O projeto do Escola dos Communs dialoga com a realidade por essa razão, trata-se de um instrumento para apontar o dedo quando preciso, mas principalmente dialogar formando pontes entre as partes, dialoga com essa realidade por não ter problemas em errar e voltar atrás sendo em essência experimental.

Conforme vocês poderão acompanhar em nossa retrospectiva que ainda vai se encerrar nas próximas semanas 2016 indica um 2017 ainda mais difícil, nossa luta portanto é por um 2018 melhor, esse será um ano para mobilizar, preparar, estabelecer pautas criando referenciais que reorganize os lutadores e que traga uma referência para a esquerda revolucionária.

O PSOL que até agora não havia sido citado no texto faz um caminho inverso a este revivendo o PT dos anos noventa, este primeiro editorial também é um chamado a eles, tá na hora de romper com a burguesia, tá na hora de deixar de justificar condutas centristas sob a justificativa da convergência, isso se chama adaptação.

Vamos convergir entre os nossos, vamos criar nossas próprias referências, é preciso derrotar os Partidos da base do governo Temer, é preciso derrotar o Judiciário e desconstruir a figura asquerosa de Sérgio Moro, é preciso rever as políticas de comunicação social para desmantelar o “4º Poder” revendo as concessões de rádio e TV e principalmente formando uma rede de informações colaborativa entre nós, do contrário em 2018 estaremos menores para o próximo período e talvez vendo o aprofundamento do golpe sem que ocorra sequer o próximo pleito presidencial.

[1] Imersa em uma onda de escândalos provenientes do estouro do mensalão essa corrente que buscava se reinventar no cenário político e manter o controle interno do Partido muda de nome para “Construindo um Novo Brasil”, sua base é a chamada ARTSIND, corrente CUTista e articulação sindical com atuação e inúmeras categorias.

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