Retrospectiva 2016: Temer tira doces da boca de crianças… Enquanto isso, “revolucionários” fazem birra.

O ano nem começou e pelo menos dois ataques impactantes já ocorreram, é bem verdade que apresentaram “naturezas distintas”, será?

Trinta e nove mortos em boate na Turquia nos estertores de 2016, e porque não colocar nessa conta o ataque misógino ocorrido no interior de SP (Campinas) com doze mortos? Qual é a semelhança entre os dois casos?

Já faz algum tempo que observamos mundo afora governos de centro-esquerda e centro-direita se curvando as pressões de grandes potências principalmente com os efeitos da crise econômica vinda desde 2008, o governo grego do Syriza “adequou” seu programa as exigências da Troika, o governo socialista François Hollande enfrenta grande impopularidade e vê a “sua” França como alvo potencial de ataques do grupo “Estado Islâmico” condições que potencializam as chances de Marie Le Pen no pleito presidencial que se aproxima, outro fator que ajuda desenhar o cenário foi o chamado Brexit, saída do Reino Unido, da União Europeia e é lógico a eleição de Trump nos Estados Unidos, no Brasil as maiores expressões deste viés de “endireitação” ficam por conta essencialmente do Impeachment formalizado em 31/08/16.

A saída de Dilma Rousseff representou o ápice de uma onda de manifestações conservadoras financiadas por partidos como DEM, PMDB e principalmente o PSDB além de entidades de classe patronais como a FIESP e foi o início do aprofundamento de uma série de ataques que já eram observáveis ao longo dos treze anos de governos petistas.

As manifestações de junho/2013 deram o tom, não era apenas 0,20  centavos, era por transporte digno, educação, qualidade de vida, mas não houve sensibilidade para aproveitar mais uma chance de romper com a burguesia  e governar efetivamente com os trabalhadores e com isso Dilma começou a perder seu mandato em tramas dignas de qualquer novela, as articulações foram escamoteadas durante um bom tempo e gradativamente passaram a ganhar a grande imprensa bem como a adesão do judiciário, especialmente Sérgio Moro que se tornou celebridade em troca de forjar um cenário juridicamente contestável e sendo assim o PT se tornou vítima de suas opções políticas e das tramas do “Temerário” Moro.

Honestamente não sei até que ponto compensa falar de cada um dos ataques que são amplamente conhecidos, mas a saber:

  1. O Principal ataque é a PEC 55 recentemente aprovada pelo Senado que na pratica baliza os gastos públicos impondo limites por vinte anos, isso significará cortes na Educação, transportes, Saúde, para com isso garantir o pagamento dos juros da dívida pública que consome a maior parte do orçamento federal.
  2. Por falar em Educação o ataque neste caso vem pela implantação da reforma do ensino médio e da reformulação da BNCC que implica em um cenário de desinvestimento na redução de conteúdo, ampliação da carga horária, ou seja na precarização do trabalho docente com a demissão de professores e professoras não efetivos, essas alterações também impactam, ao contrário do que diz Temer, na redução (ou seria oficialização) da educação pública a mera formação de mão de obra barata para o mercado eliminando qualquer possibilidade de acesso as universidades pelos setores mais precarizados da sociedade.
  3. A reforma da previdência é outro ponto de imensa preocupação com o aumento do tempo de contribuição e a idade limite para aposentadoria, esta combinada com a reforma trabalhista que retira inúmeros direitos históricos impondo o “negociado sobre o legislado” fará com que a carestia de vida aumente consideravelmente e a qualidade caia na mesma proporção
  4. E por fim a privatização das estatais, com destaque para a Petrobras que deve ser entregue para a iniciativa privada Estadunidense, além das medidas de reformas econômicas como a suspensão das dívidas de Estados e municípios com a união em Troca de um programa de enxugamento das contas e privatização do patrimônio público.

Esta última já dá seus primeiros sinais quanto aos seus resultados, no segundo dia após assumir a prefeitura de São Paulo João Dória (PSDB) já anunciou a secretaria de  Desestatização e Parcerias sob a batida justificativa de dar “eficiência aos serviços públicos”.

Aliás, Dória que até pouco tempo atrás não era mais que um “azarão” em condições normais de “pressão e temperatura” é um exemplo desses novos tempos, com a efetivação do golpe institucional e o desgaste petista o pleito municipal ocorrido em 2016 demonstrou empiricamente o resultado não somente da conciliação petista, mas também dos constantes vacilos da chamada “esquerda revolucionária” que quando deixa de estabelecer um programa de frente única[1] consequente abre espaço para o discurso de ultra direita  que praticamente varreu o PT do mapa eleitoral, no mínimo reduziu sua atuação para um patamar anterior aos anos noventa.

Iniciamos 2017 em uma perspectiva de aumento de inflação, recessão, desemprego com a possibilidade da queda de Temer pela via institucional é possível que eleições indiretas ocorra e promovam o retorno de FHC ou a eleição de Aécio ou Serra para a conclusão do mandato até 2018, seria o golpe por dentro do golpe?

Em um cenário de tamanha instabilidade não é possível descartar a intervenção militar para a manutenção da “soberania nacional”, soberania?

O panorama é desalentador na medida em que a unidade dos setores progressistas e/ou revolucionários seguem tentando decidir quem é o “mais vermelho” sem ações que definam uma estratégia comum para mobilizar as bases, passou da hora de romper com o imobilismo de CUT e CTB, passou da hora do MST e o MTST tomarem as ruas, passou da hora de inviabilizar nas ruas as manobras parlamentares que tiram o doce da boca de nossas crianças.

[1] Ação política unitária entre correntes ideologicamente identificadas.

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