SP: Um voto de confiança em Erundina 50 e Diana 50200.

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Como todos faz tempo que acompanho todo o processo do impedimento de Dilma Rousseff e não é novidade para ninguém que tenho a compreensão de que ele apenas se efetivou no dia de hoje sendo consequência das escolhas políticas que o PT fez ao tentar se cacifar para conduzir o estado burguês, fato este que se concretizou em 2002 e desde então apenas se aprofundou quando a frente popular se enveredou pelo conceito de “governo de coalizão”, ainda assim é preciso ter clareza das diferenças entre o PT e a maioria dos Partidos da Ordem em especial após os três primeiros meses de interinidade de Michel Temer.

Sem grandes elaborações significa dizer que ao invés de ceder à procuração para que seus interesses sejam defendidos (ao PT) a burguesia passa a defender diretamente os seus interesses (através do PMDB) como, por exemplo, ataques a CLT e reformas da previdência entre outros.

Isso leva pensar o futuro em perspectiva, ou ausência dele uma vez que o golpe parlamentar está efetivado e considerando que nem mesmo a constituição que é chamada “lei das leis” ou a “carta magna” como base do “estado de direito burguês” serviu de garantia para quaisquer coisa pode-se esperar de tudo, vivemos na prática um estado de exceção e ai me causa dúvidas em relação à reação:

Haverá de fato convergência entre as correntes da esquerda socialista com o objetivo que não deve ser outro além de reeditar junho de 2013?

Afinal qual PT veremos, aquele que faz a oposição parlamentar e institucional ou vão efetivamente voltar para as ruas e para sua base dentro dos movimentos sociais?

Como ficam as coligações municipais entre PT e PC do B com partidos da base golpista? (aproximadamente 2.000 cidades)

Honestamente, não sei que respostas dar e de que forma deveremos agir, o fato objetivo é que não podemos mais nos eximir de uma opinião, pois sabemos que essa atitude significa dar o aval necessário aos sucessivos golpes que deverão ocorrer de agora em diante e isso me faz ter duas reações imediatas, em primeiro lugar volto a alimentar meus blogs como forma de estabelecer diálogo com trabalhadores e trabalhadoras e movimentos sociais e em segundo lugar revejo a minha posição original de neutralidade no pleito municipal.

Faz alguns dias que venho manifestando minha dúvida em relação essa questão e depois de refletir bastante declaro formalmente meu apoio à candidatura da Deputada Luiza Erundina para a prefeitura de São Paulo ainda que com restrições.

Tenho acordo com os camaradas do #MAIS quando analisam a necessidade da formulação de uma empresa pública de transportes no município para o enfrentamento da máfia do transporte urbano e se busque atingir a tão esperada tarifa zero.

Tenho leve divergência  com os camaradas em relação a dívida pública, é preciso o fim de seu pagamento e não a mera suspensão, defender a suspensão com a auditoria significa permitir que os coiotes façam a “auditoria no galinheiro” e como resultado dessa medida seria necessário o fim dos contratos com as empresas terceirizadas e OS’s

 É essencial o fim da GCM, uma corporação que não se justifica sob nenhum prisma, pois não serve para a defesa dos munícipes e ainda se presta ao papel da repressão destes em especial como bem frisaram no texto “Eleições São Paulo: a necessidade de um programa para combater a lógica da ‘cidade-negócio” dos trabalhadores ambulantes e pessoas em situação de rua.

É imprescindível a disponibilização de prédios abandonados para fins de moradia popular de modo dar cabo do déficit de aproximadamente 230mil moradias na cidade e indo no mesmo sentido é essencial saber que ao eliminar as OS’s isso vai atingir diretamente os serviços de assistência social e sendo assim é importantíssimo dialogar com o COMAS (Conselho Municipal de Assistência Social) tanto no que diz respeito a incorporação dos milhares de trabalhadores e trabalhadoras do setor, uma base de maioria feminina, a melhora da estrutura e qualidade dos serviços que devem ser um apoio principalmente as pessoas em situação de rua e para questões pontuais como é o caso da aceitação de pessoas transexuais nos abrigos uma vez que estas sofrem devido a transfobia dos outros usuários e das próprias políticas de AS que as ignoram.

E por fim, não sei se é legalmente possível acabar com a câmara, mas é capital pensar na construção de conselhos populares que desidratem o legislativo paulistano dando vez e voz aos trabalhadores da cidade invertendo a lógica administrativa de todos os governos paulistanos desde 1554.

Neste mesmo sentido e sendo coerente com as minhas convicções quero falar de Diana Assunção do MRT que é candidata pelo PSOL a vereadora de São Paulo e apoio ela com base em suas condutas e postura.

Diana que é formada em História pela PUC – SP é fundadora do coletivo feminista Pão e Rosas, uma importante ferramenta na luta contra o machismo e superexploração de mulheres, sua compreensão em uma luta consequente  contemplava um importante recorte de classes e com isso passa a se organizar na LER – QI (Liga Estratégica revolucionária – Quarta Internacional), sobre isso em entrevista ao “Esquerda Diário” Diana afirma:

“Desde o início, entendíamos que a luta contra o machismo não podia ser consequente sem uma visão marxista, um recorte de classe que permitisse compreender como a opressão machista é utilizada e faz parte do sistema capitalista para aprofundar a precarização do trabalho e a exploração. Por isso, também me organizei politicamente na antiga LER-QI, que deu origem ao Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), organização a qual pertenço hoje e que está impulsionando candidaturas em cinco diferentes cidades pela legenda do PSOL.”

Como trabalhadora da Faculdade de Educação da USP Diana acompanha e participa das lutas dos trabalhadores e estudantes desta importante universidade em defesa da educação pública, atua ao lado de servidoras e servidores terceirizados através do SINTUSP onde constituiu importantes lutas via Secretaria de mulheres.

Não basta ser negra, não basta ser mulher, não basta ser trabalhadora e Diana mostra com sua atitude que o que faz diferença e o que a faz diferente é justamente o recorte de classes que estabeleceu no início de sua trajetória e ela vem referendada por sua própria corrente, uma organização forjada nas bases sindicais e populares e com práticas condizentes com o seu discurso onde fiz amigos que fiz não no boteco ou na festa de final de ano da “firma”, mas pessoas que conheci na luta contra as opressões ou em greves como a greve de professoras e professores do estado de São Paulo do ano passado que durou 92 dias, a Diana e o MRT estavam lá por isso tem meu respeito, e agora o meu apoio que evidentemente não vem sem contrapartida.

Não é segredo para ninguém a minha fé tão pouco não é segredo para ninguém a profunda perseguição que os “filhos de Santo” sofrem historicamente e sua profunda associação a cultura negra, portanto essa perseguição que usualmente se chama de intolerância religiosa é “somente” intolerância, mas ódio racista contra algumas milhares de pessoas que ousaram bater de frente com o patriarcado branco mantendo as suas tradições raízes e fé e nesse sentido mais do que propor estou impelindo Diana e porque não Erundina a encaminharem no interior de suas correntes políticas que agreguem os filhos e filhas de asè que são parte do longo histórico de opressões do estado brasileiro.

2 Comments

  • Darlene

    Belo texto. Concordo em partes, discordo diretamente em outros. Não acho ser Erundina a melhor opção, tenho indagações sobre Diana que vc conhece, mas gosto muito de te ver escrever de novo. BJ.

  • Leandro Aguiar

    Eu não sou Petista e você sabe que eu não preciso dar argumentos para isso o próprio PT o faz, em relação Diana consigo usar aos seus argumentos para rebater. No mais, obrigado e beijos.

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